Petsiré, Petsiré

Se eu não fosse um simples humano talvez chegasse calmo ao centro desta luz nestes vôos, desde os líquidos que diluem tuas plantas, legumes e betuminosas em alquimia natural até muito além da próxima miragem.

Petsiré, Petsiré

Não por acaso, Nathalie Barends recebeu este nome de um cacique xavante num encontro xamânico paralelo à Eco 92, ocorrido em Brasília e Rio de Janeiro. Ela foi escolhida, por sua própria arte e por sua natureza intuitiva, como uma porta aberta para a redescoberta das sensações, a valorização da intuição e a desmediocrização da criatividade, liberta dos extremos mercadológicos.



Sua arte contém elementos que encantam e chamam à reflexão. Medita conosco nossas riquezas e nossas limitações. Critica com incrível doçura, meiga em suas magias reveladoras, farta em vontades de recuperar o mundo para dias melhores, de Justiça, equilíbrios, bons augúrios.

Petsiré está apenas iniciando sua volta luminosa em torno da terra, despertando os homens para os valores marinhos, os gritos das florestas violentadas, os murmúrios de desespero das crianças sacrificadas.

Petsiré, Petsiré

Se eu não fosse um simples humano talvez pudesse voar como os peixes de tuas asas, que direcionam a vida para muito além da miragem, além do horizonte azul. Mas para nós resta apenas o aprendizado de suas obras, pigmentos alucinados em busca de atenções, carinhos na tela, felicidade no amor.

 


 

Paulo Klein - Crítico de Arte e Poeta 1995

(Catálogo para a exposição de Nathalie B.Barends no Palais Palffy, Viena, Áustria
em Novembro de 1995)

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