ARTE FOTO DE ZECA CALDEIRA -

A HORA DA ESTRELA(1) E O MINUTO DO CLIQUE


José Paulo Caldeira, Zé Paulo, Cacau Caldeira, Zeca Caldeira. Em algumas publicações, das mais importantes do país - Bravo. Isto É Dinheiro, e Exame, algumas delas – ele usa o nome de Zeca Caldeira. No segmento se faz notar pela diferença entre hora da estrela e  minuto do clique.

Há algum tempo acompanho sua produção autoral, que corre em paralelo com as atividades como fotógrafo de imprensa. Isso no momento ímpar que vive a Fotografia Brasileira no território das Artes Visuais, com destaques brasileiros como Vik Muniz, Miguel Rio Branco, Sebastião Salgado, Rochele Costi, Rosângela Rennó, Cássio Vasconcelos, entre outros.



Como autor de arte que utiliza a fotografia como instrumento, Zeca expressa seu encantamento e sua perplexidade com as peles das cidades e, consequentemente, com o mundo. ZC registra as explosões de alegria e as feridas da humanidade, sem o óbvio de fotografar pessoas, não que não o faça com especial rigor. Sua ênfase autoral está nas marcas – felizes ou infelizes – que o homem deixa por onde passa.

Portas da percepção(2), Janelas da Alma, gambiarras, cores vivas, cores mortas, vandalismos, incertezas, enigmas sem solução.

Entre milhares de imagens que registrou, em projetos pautados pelo rigor e suor, ZC vem selecionando as melhores – com nossa participação – para que outros olhares penetrem também estes mundos silenciosos, fatias de perplexidade e incerteza.

Importante falar-se, aqui, dos dispositivos e dos cuidados técnicos que Zeca Caldeira utiliza. Para sua produção autoral, trabalha com câmaras digitais (primeiro, uma Nikon D100, depois uma Nikon D200, lentes normais e angulares) e analógicas (Hasselblad 501C), defendendo a necessidade de somar as possibilidades e as ferramentas disponíveis.


Na hora da edição, trabalha sempre a saída digital, o que permite maior controle, mesmo nos casos em que a captação é analógica. Ultimamente percebe que, para a captação, o ideal é o filme, na hora de tratar a imagem, opta pelo sistema digital.

É gratificante perceber-se o entusiasmo e a determinação com que desenvolve seu trabalho autoral em cenários inóspitos, em cenas de “nenhum lugar” que se identifique. Agora, ZC se prepara para captar situações noturnas, com todo risco e suspeitas que os resultados possam refletir. E em outras partes do mundo, o que deverá ser uma boa viagem.





Na produção mais recente de suas imagens, que se situam entre a beleza e a perplexidade, ZC optou pela fotografia analógica, discursando que os meios se completam e que, nos resultados, o fruidor não precisa saber se o processo é analógico ou digital. Ou se é uma soma dos dois.



O cuidado com o acabamento de suas fotografias, a escolha do suporte adequado, inclusive os papéis especiais, o apurado estudo das densidades crômicas, as luzes e as sombras, arrematam com precisão estas peças que se transformam – clique a clique – em finas peças de arte.


PAULO KLEIN
Crítico de Arte / Escritor
Association Internationale des Critiques D`Art
Associação Brasileira de Críticos de Arte


1. LISPECTOR Clarice.
2.
HUXLEY Aldous.

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